PF investiga médico por desvio de verbas da Covid-19 para pagamento de propina em Goiás
A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quarta-feira (15) as operações simultâneas Rio Vermelho e Makot Mitzrayim. O principal alvo é um médico, gestor de uma Organização Social (OS) que administrava unidades de saúde estratégicas em Goiás, como o Hospital de Urgências de Goiás (HUGO), durante a pandemia. Ele é suspeito de liderar um esquema de corrupção que utilizava recursos destinados ao combate à Covid-19 para subornar fiscais e enriquecer ilicitamente.
Ao todo, a Justiça Federal expediu 50 mandados judiciais, sendo quatro de prisão preventiva e 46 de busca e apreensão. As diligências ocorreram em endereços de luxo em Goiânia, como o Jardim Goiás e o Setor Sul, além de Brasília (DF), São José do Rio Preto (SP) e cidades no Tocantins e Maranhão.
Superfaturamento e “Quinteirização” de Serviços
As investigações revelaram um esquema sofisticado de desvio de dinheiro público. A Organização Social simulava concorrências e direcionava editais para beneficiar empresas que pertenciam ao próprio dirigente da OS. Para inflar os valores e gerar o excedente necessário para o pagamento de propinas, o grupo utilizava a “quarteirização” e a “quinteirização” de serviços.
Na prática, as empresas subcontratadas entregavam apenas parte do serviço ou operavam com valores muito acima do mercado. Esse lucro indevido era usado para garantir o “silêncio” de agentes públicos responsáveis pela fiscalização dos contratos, permitindo que as irregularidades passassem despercebidas.
Impacto na Saúde e Precarização do Trabalho
De acordo com a PF, a prioridade da organização criminosa era a maximização dos lucros, o que resultou na precarização da assistência hospitalar e das relações de trabalho. Enquanto os gestores desviavam milhões, os profissionais de saúde enfrentavam condições adversas e os pacientes sofriam com a queda na qualidade do atendimento nas unidades de campanha e hospitais geridos pela OS.
Até o momento, os nomes dos investigados não foram oficialmente divulgados. A Secretaria de Saúde de Goiás já sinalizou que deve realizar a troca da OS responsável pela administração do Hugo. O espaço permanece aberto para a manifestação das defesas dos citados.







