Escândalo do INSS: Maurício Camisotti confessa fraudes bilionárias e assina delação premiada
O esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, conhecido como a “Farra do INSS”, teve um desdobramento decisivo nesta quinta-feira (9). O empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos líderes da organização criminosa, confessou sua participação nas fraudes e assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF).
Camisotti, que está preso desde setembro do ano passado, é o primeiro a fechar colaboração no âmbito da Operação Sem Desconto. O acordo já foi enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que ficará responsável por homologar os termos para conferir validade jurídica às revelações.
Faturamento de R$ 1 bilhão com descontos indevidos
As investigações apontam que o empresário controlava, por meio de laranjas e parentes, três entidades principais: Ambec, Unsbras e Cebap. Essas associações eram utilizadas para aplicar descontos mensais diretamente na folha de pagamento de segurados, muitas vezes sem qualquer autorização.
Os números do esquema são impressionantes:
Faturamento anual: R$ 580 milhões apenas no último ano.
Montante acumulado: Cerca de R$ 1 bilhão arrecadados desde 2021.
Processos judiciais: Milhares de ações movidas por aposentados que alegavam filiações fraudulentas.
Desdobramentos e novas colaborações
Com a assinatura da delação, a defesa de Camisotti busca a conversão da prisão preventiva em domiciliar. O empresário, que estava em uma penitenciária em Guarulhos, foi transferido para a Superintendência da PF em São Paulo para facilitar os depoimentos.
O caso, revelado inicialmente por uma série de reportagens do portal Metrópoles, já provocou quedas de alto escalão no governo, incluindo o ex-presidente do INSS e o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi. Além de Camisotti, outros nomes centrais do esquema, como o lobista conhecido como “Careca do INSS” e ex-diretores do instituto, também estariam negociando acordos de delação, o que pode ampliar ainda mais o alcance das investigações sobre a rede de corrupção.







