EUA expressam “séria preocupação” com decisões judiciais brasileiras que restringem liberdade de expressão na internet

EUA expressam preocupação com censura judicial no Brasil
EUA expressam preocupação com censura judicial no Brasil

EUA expressam “séria preocupação” com decisões judiciais brasileiras que restringem liberdade de expressão na internet

Departamento de Estado americano reagiu a relatório do Comitê Judiciário do Congresso dos EUA que critica ordens do ministro Alexandre de Moraes; nota não cita o magistrado pelo nome


O Departamento de Estado dos Estados Unidos — equivalente ao Ministério das Relações Exteriores brasileiro e atualmente comandado por Marco Rubio — emitiu nesta quarta-feira (1º) uma declaração formal manifestando “sérias preocupações” com decisões judiciais brasileiras que, segundo o órgão, restringem a liberdade de expressão online e suprimem opiniões políticas de forma não transparente.

A nota foi enviada ao Metrópoles em resposta a um relatório publicado pelo Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA — atualmente controlado pelo Partido Republicano —, que critica ordens do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando a remoção de postagens e a suspensão de contas em redes sociais. A declaração do Departamento de Estado, no entanto, não menciona Moraes pelo nome.

“Temos manifestado séria preocupação com decisões judiciais amplas e desproporcionais que restringem a liberdade de expressão on-line e o acesso à informação, bem como com ações governamentais que, de forma secreta, suprimem opiniões políticas desfavoráveis — incluindo as de jornalistas e autoridades eleitas — sem o devido processo legal”, afirma o texto do Departamento de Estado.

O que diz o relatório americano

O documento do Comitê Judiciário afirma que as decisões de Moraes promoveriam uma “campanha de censura e lawfare” capaz de atingir “o cerne da democracia brasileira”, com impacto potencial sobre as eleições presidenciais de 2026. O relatório cita especificamente o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, atualmente residente nos EUA, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência.

“As ordens de censura e o lawfare conduzidos pelo ministro Moraes contra a família Bolsonaro e seus apoiadores podem prejudicar significativamente sua capacidade de se expressar on-line sobre temas de interesse público nos meses que antecedem a eleição presidencial brasileira”, consta no texto.

Por meio de intimações judiciais nos EUA, o Comitê obteve cópias de ordens emitidas por Moraes e por outros órgãos da Justiça brasileira direcionadas a empresas de redes sociais americanas, determinando remoção de conteúdos e suspensão de contas. O relatório é acompanhado de 85 anexos, a maioria composta por decisões do ministro. Entre os casos citados estão quatro ordens enviadas ao Spotify para remoção de conteúdos do youtuber Monark, além de ordens relacionadas a Eduardo Bolsonaro e outros dois indivíduos, datadas de setembro de 2025.

O ministro Alexandre de Moraes foi procurado para comentar o relatório, mas não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem.

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