Caiado promete anistia “ampla, geral e irrestrita” como primeiro ato de governo e mira eleitorado conservador
Recém-lançado candidato à Presidência pelo PSD sinaliza aproximação com campo bolsonarista ao defender perdão aos condenados pelo 8 de Janeiro; promessa contrasta com discurso anterior do partido
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), mal havia sido anunciado candidato à Presidência da República quando já entregou ao eleitorado conservador uma das promessas mais aguardadas pela base bolsonarista. Em seu discurso de lançamento, nesta segunda-feira (30), Caiado afirmou que seu primeiro ato como presidente seria decretar a anistia dos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em razão dos eventos do 8 de Janeiro de 2023.
O governador embalou a promessa em um discurso de superação da polarização política — mas com claro aceno ao campo da direita. “O Brasil não suporta mais uma situação que tem sido uma constante nos últimos anos. A polarização não é um traço da política nacional. A polarização é sustentada por um projeto político daqueles que se beneficiam dela. Pode ser desativada, sim, por alguém que não é parte dela”, declarou, antes de anunciar que o decreto de anistia seria seu ato inaugural no Palácio do Planalto.
Uma candidatura à direita em um partido que queria o centro
O posicionamento de Caiado provoca um contraste evidente com a estratégia que o PSD vinha desenhando para a disputa presidencial. O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, havia sinalizado repetidamente a intenção de lançar um candidato de centro-direita, capaz de romper com a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em dezembro do ano passado, ao comentar sobre o cenário eleitoral, Kassab chegou a afirmar que “não faz nenhum sentido” um candidato se apresentar como de direita se quiser vencer a eleição.
A consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro, no entanto, parece ter convencido o partido de que a disputa seguirá sendo marcada pela extrema polarização — e que, nesse cenário, avançar sobre o eleitorado conservador pode ser a estratégia mais viável para Caiado ganhar musculatura na corrida presidencial.
O caminho até a candidatura
Caiado foi escolhido internamente pelo PSD após a desistência de Ratinho Junior, governador do Paraná, que era considerado o nome favorito de Kassab para a disputa. O paranaense recuou para concentrar esforços na tentativa de barrar a candidatura de Sergio Moro (PL) ao governo do Paraná em 2026. Com a saída de Ratinho Junior, o governador gaúcho Eduardo Leite chegou a intensificar sua campanha interna, mas Caiado prevaleceu como o nome com maior respaldo no conselho político do partido.
Nas eleições de 2026, Caiado enfrentará Lula, que busca a reeleição, e Flávio Bolsonaro, que disputa o cargo defendendo o legado do pai — atualmente cumprindo prisão domiciliar após condenação pelo STF. A promessa de anistia feita por Caiado coloca os dois candidatos de direita em terreno semelhante, o que deve acirrar ainda mais a disputa pelo mesmo eleitorado conservador.







