Haddad deixa Ministério da Fazenda para eleição em SP, e Durigan assume
O cenário político e econômico de Brasília sofreu uma alteração estrutural nesta quinta-feira (19) com a oficialização da saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda. Após pouco mais de três anos à frente da pasta, Haddad deixa o governo para lançar sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, em um evento realizado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC ao lado do presidente Lula. O substituto escolhido para assumir o comando da economia é Dario Durigan, que até então atuava como secretário-executivo e braço direito de Haddad nas negociações com o Congresso Nacional.
O legado de Haddad e a nova gestão
Durante sua gestão, Fernando Haddad foi o fiador de mudanças profundas nas regras fiscais brasileiras, com destaque para a substituição do antigo teto de gastos pelo novo arcabouço fiscal. Sua passagem pela Fazenda foi marcada pela busca contínua por novas receitas, combatendo benefícios tributários e elevando a taxação sobre setores como apostas esportivas, fundos exclusivos e compras internacionais. Haddad também capitaneou a aprovação da reforma tributária sobre o consumo e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, entregando ao seu sucessor uma estrutura de arrecadação mais robusta, porém sob críticas do mercado devido ao crescimento da dívida pública.
Desafios fiscais e pressão internacional
Dario Durigan assume o posto de ministro em um momento de extrema sensibilidade para as contas públicas, herdando um Orçamento comprimido por gastos obrigatórios e a necessidade de avançar com pautas impopulares. O novo ministro precisará navegar em um Congresso Nacional que entra em ritmo de período eleitoral e que se encontra acuado por investigações recentes envolvendo o setor financeiro. Além da pressão interna, o cenário externo impõe cautela devido ao conflito militar no Oriente Médio, que tem pressionado os preços do petróleo e a inflação global, dificultando os planos do Banco Central de reduzir a taxa de juros no curto prazo.
Com formação jurídica e experiência no setor público e privado, Durigan terá como prioridades imediatas a regulamentação do Imposto Seletivo e a conclusão de reformas microeconômicas. A expectativa de interlocutores do Palácio do Planalto é que o novo ministro mantenha a diretriz de equilíbrio fiscal defendida por seu antecessor, mas com o desafio adicional de manter a governabilidade e a confiança dos investidores em um ano de incertezas geopolíticas. A trajetória de Durigan, que já passou pelo setor de políticas públicas do WhatsApp e pela assessoria direta de Lula, será testada agora no cargo mais alto da economia do país.







