Mendonça autoriza transferência e Daniel Vorcaro inicia delação premiada na PF
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou na noite desta quinta-feira (19) a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal. O deslocamento foi realizado sob forte esquema de segurança, com o uso de helicóptero e o investigado algemado, sinalizando o início formal das tratativas para um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Compliance Zero.
A negociação em curso apresenta características jurídicas inéditas no país, pois envolve um acordo de colaboração firmado simultaneamente com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Tradicionalmente, essas instituições disputavam o protagonismo das delações, o que frequentemente gerava nulidades processuais. O alinhamento atual entre a PF e a PGR busca blindar juridicamente o depoimento de Vorcaro, garantindo que as provas colhidas tenham validade plena em todas as instâncias do Judiciário.
Daniel Vorcaro é apontado pelos investigadores como o líder da organização criminosa financeira investigada, o que inverte a lógica comum de delações onde subordinados entregam seus chefes. O fato de o principal alvo do esquema decidir colaborar indica que o volume de informações e registros financeiros em sua posse é substancial. O foco central dos depoimentos será o detalhamento de pagamentos de propina a parlamentares influentes do Congresso Nacional em troca de apoio em pautas de interesse do grupo financeiro.
Na Superintendência da Polícia Federal, Vorcaro ocupará a mesma sala de custódia onde esteve o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos próximos dias, delegados federais e procuradores devem realizar rodadas de interrogatórios para confrontar os dados bancários já apreendidos com os nomes e datas fornecidos pelo ex-banqueiro. A expectativa é que essas revelações forneçam a base necessária para o lançamento de novas fases ostensivas da operação, com o objetivo de mapear a extensão da influência ilícita no Poder Legislativo.







