Crer realiza primeira cirurgia com polilaminina para regeneração medular em Goiás
O cenário da medicina regenerativa em Goiás alcançou um marco histórico. O Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia, detalhou nesta segunda-feira (23) o sucesso do primeiro procedimento no estado utilizando polilaminina. A substância, ainda em fase experimental, é uma das maiores promessas da ciência brasileira para o tratamento de lesões medulares agudas.
A Inovação: Uma “Ponte” para Neurônios
O diretor técnico do Crer, Alan Anderson Fernandes Oliveira, explicou o mecanismo revolucionário da substância. A polilaminina é um polímero desenvolvido a partir da laminina (proteína natural da placenta). No momento do trauma medular, os axônios — que funcionam como “fios elétricos” que conectam o cérebro ao corpo — são rompidos, deixando um vácuo que o organismo preenche com uma cicatriz, impedindo a reconexão.
“A polilaminina consegue criar uma conexão para que o axônio cresça e conecte na ponta. O prolongamento do neurônio funciona como um fio elétrico e a substância cria o suporte para que ele atravesse o espaço vazio do trauma”, detalha o médico.
O Caso Goiano
O paciente que recebeu a terapia é um homem entre 40 e 50 anos, vítima de trauma automobilístico (perfil que representa 70% dos casos de lesão medular). Por se tratar de uma substância ainda não aprovada para uso clínico comercial, o tratamento foi viabilizado por meio de autorização judicial para terapias experimentais em casos graves, contando com apoio logístico do governo estadual.
Segundo o diretor do Crer, a cirurgia foi bem-sucedida e o paciente apresenta uma evolução positiva. No entanto, o médico faz um alerta: a cirurgia é apenas o primeiro passo. O grande diferencial é o pós-operatório multidisciplinar, onde o cérebro precisa “reaprender” os caminhos neurais restabelecidos.
Esperança com Cautela Científica
A pesquisa, liderada pela cientista Tatiana Sampaio (UFRJ), ainda está em fase inicial (Fase 1 e 2), focada em testar a segurança e a eficácia.
Potencial de Recuperação: Enquanto terapias convencionais alcançam de 10% a 15% de melhora, estudos iniciais com a polilaminina estimam uma recuperação de 70% a 75%.
Fases da Pesquisa: A Anvisa autorizou a continuidade dos testes em janeiro de 2026. Somente após a conclusão de estudos com grupos maiores e controlados é que a substância poderá ser amplamente distribuída.
Atualmente, o Crer é referência no cuidado medular há 12 anos e segue monitorando o desfecho clínico do paciente, avaliando ganhos em qualidade de vida e funções motoras.







