Crise no Setor Financeiro: Grupo Fictor pede Recuperação Judicial após Caso Banco Master
O Grupo Fictor, que ganhou holofotes no final do ano passado ao tentar adquirir o Banco Master, protocolou oficialmente um pedido de recuperação judicial nesta segunda-feira (2). A holding financeira justifica a medida como uma resposta ao “pânico generalizado” e ao “descompasso operacional” causados pela exposição midiática negativa após a liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro pelo Banco Central.
O Impacto da Exposição Midiática e a Fuga de Capitais
No documento entregue ao Poder Judiciário, a Fictor detalha que a crise não teve origem em falhas de gestão interna, mas sim na repercussão das notícias que ligaram o grupo ao escândalo do Master. O consórcio liderado pela holding havia prometido um aporte de R$ 3 bilhões para salvar a instituição financeira, mas suspendeu a operação em 18 de novembro, data da liquidação.
A consequência foi imediata: as ações da subsidiária Fictor Alimentos S.A. despencaram cerca de 50% na B3. Mais grave ainda foi a debandada de investidores das Sociedades em Conta de Participação (SCP). Segundo o grupo, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, os pedidos de retirada de capital atingiram a marca de 71,38% do montante aportado, o que drenou a liquidez da empresa e inviabilizou a continuidade normal das atividades.
Bloqueios Judiciais e Plano de Contingência
A Fictor também citou o bloqueio de R$ 150 milhões em suas contas e o surgimento de diversas ações judiciais com pedidos de arresto cautelar. A holding argumenta que a recuperação judicial é o único caminho para proteger ativos essenciais e evitar que processos individuais paralisem as operações nos setores de infraestrutura e alimentos, onde o grupo possui mais de 30 empresas distribuídas pelo Brasil, EUA e Europa.
O grupo ressalta que fornecedores e stakeholders passaram a exigir esclarecimentos detalhados sobre os beneficiários finais e vínculos societários da holding, o que gerou uma paralisia comercial. Com o pedido de recuperação, a Fictor ganha um prazo de blindagem contra cobranças de dívidas enquanto apresenta um plano de reestruturação aos credores, tentando desvincular sua imagem da crise reputacional do Banco Master.







