Caso Banco Master: BRB assume controle de 100 restaurantes e 4 shoppings como compensação por fraudes

Banco Master repassa 100 restaurantes ao BRB para compensar fraudes
Banco Master repassa 100 restaurantes ao BRB para compensar fraudes

Caso Banco Master: BRB assume controle de 100 restaurantes e 4 shoppings como compensação por fraudes

O desdobramento das investigações sobre fraudes na aquisição de títulos do Banco Master forçou uma reestruturação patrimonial atípica no Banco de Brasília (BRB). Para mitigar os prejuízos financeiros causados pela venda de ativos fraudulentos, o Banco Master repassou ao banco estatal brasiliense participações em fundos de investimento que administram ativos de alto valor de mercado. Com a operação, o BRB tornou-se sócio direto de mais de 100 restaurantes de renome e quatro centros de compras espalhados pelo território nacional.

O Império Gastronômico e a Sociedade com o Alife Nino

A participação do BRB ocorre principalmente por meio do fundo Strelitzia, que é um dos principais acionistas do grupo Alife Nino, um dos dez maiores conglomerados de food service do Brasil. O grupo opera 14 marcas distintas e possui mais de 70 unidades em 11 estados. Entre os estabelecimentos que agora têm o banco estatal como sócio estão grifes gastronômicas como o restaurante Nino, Peppino e Irajá Reduz, além de redes populares de entretenimento como o Boteco Boa Praça, Tatu Bola e Eu Tu Eles.

A operação ganhou escala no último ano quando o Alife Nino adquiriu o grupo Drumattos por R$ 198 milhões, incorporando marcas como Camarada Camarão e Camarão & Cia. Atualmente, a gestão dessas operações está sob a liderança de Pedro Silveira, executivo com passagens pela XP Internacional e Corinthians. Além do setor de alimentação, o BRB também assumiu cotas no fundo Macam, garantindo participação societária em quatro shoppings localizados em Brasília, Paraná, Goiás e Espírito Santo.

Investigação “Compliance Zero” e Gestão de Ativos

A atual diretoria do BRB, presidida por Nelson Antonio de Souza, avalia a liquidação desses ativos para recompor o caixa da instituição. O repasse dos bens, iniciado em julho de 2025, ainda não havia sido detalhado nos balanços patrimoniais anteriores. Em nota oficial, o BRB informou que todas as operações ligadas ao escândalo do Banco Master estão sendo submetidas a uma investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer e pela consultoria técnica Kroll, no âmbito da chamada “Operação Compliance Zero”.

O banco ressaltou que a prioridade atual é o fortalecimento da liquidez e a redução de riscos, cooperando integralmente com as autoridades e o Banco Central. O imbróglio financeiro expõe a complexidade das relações entre bancos estatais e fundos de investimento privados, transformando uma instituição financeira pública em uma das maiores operadoras indiretas de lazer e gastronomia do país como forma de compensar perdas decorrentes de irregularidades no mercado financeiro.

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