Terror na Fronteira: Turistas Goianos Relatam Sequestro e Extorsão Praticados por Policiais no Paraguai
Um episódio de violência institucional chocou a comunidade goiana nesta semana após a denúncia de dois turistas naturais de Goiás que afirmam ter sido vítimas de sequestro e extorsão por agentes de segurança paraguaios. Jefferson Matheus Ferreira Alves Barbosa Santiago e Joaquim Francisco Itacarambi Neto viajavam acompanhados da namorada paraguaia de Jefferson quando foram abordados em uma barreira policial na região de Raúl Peña nas proximidades de Ciudad del Este. O que deveria ser um deslocamento de rotina para uma visita familiar transformou-se em um cárcere privado de mais de doze horas onde os brasileiros foram submetidos a tortura psicológica e ameaças de incriminação forjada por tráfico internacional de drogas.
O Modus Operandi da Extorsão e a Prisão dos Agentes
Segundo os relatos das vítimas a abordagem escalou após duas cobranças de propina em barreiras anteriores. Na terceira interrupção os policiais alegaram falsamente a presença de substâncias ilícitas no veículo e conduziram o grupo à força para uma delegacia isolada às margens da rodovia. No local os brasileiros foram algemados e forçados a enviar fotografias nessa condição para seus familiares no Brasil como estratégia de pressão para o pagamento de um resgate estipulado em 10 mil dólares. A liberdade de Jefferson só foi articulada sob a promessa de que ele buscaria o montante em um hotel em Ciudad del Este. Ao chegar ao destino o goiano conseguiu escapar da vigilância dos agentes e buscou auxílio imediato das autoridades paraguaias na Ponte da Amizade o que resultou em uma operação de flagrante e na prisão de quatro policiais incluindo o subchefe da Subcomisaria local.
Desamparo Jurídico e a Espera por Assistência Consular
Apesar da prisão dos envolvidos a situação dos goianos permanece precária em território paraguaio. Jefferson e seus acompanhantes denunciam que continuam sem acesso ao veículo alugado aos passaportes e aos pertences pessoais que foram retidos durante o sequestro. Há uma preocupação crescente quanto à validade jurídica dos procedimentos atuais pois as vítimas relatam estar sendo compelidas a assinar documentos em idioma estrangeiro sem o suporte de um advogado ou acompanhamento do consulado brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral em Ciudad del Este está à disposição para prestar assistência mas ressaltou que o atendimento depende do contato direto dos cidadãos interessados. Enquanto aguardam o desenrolar diplomático e a devolução de seus bens os turistas permanecem em solo paraguaio enfrentando as sequelas psicológicas de um crime praticado por quem deveria garantir a segurança na fronteira.







