Conflito Agrário: Alexandre de Moraes Ordena Retirada Imediata da Família Caiado de Território Quilombola

Moraes ordena que primos de Caiado desocupem área quilombola em Goiás
Moraes ordena que primos de Caiado desocupem área quilombola em Goiás

Conflito Agrário: Alexandre de Moraes Ordena Retirada Imediata da Família Caiado de Território Quilombola

Em decisão publicada na noite de terça-feira (27), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) assegure a desocupação de integrantes da família Caiado da região da Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO). A medida visa proteger a comunidade remanescente de quilombo e garantir a posse das terras aos moradores tradicionais.

Relatório do Incra e “Afronta à Autoridade do STF”

A decisão do ministro foi fundamentada em um relatório do Incra, datado de 5 de janeiro de 2026, que aponta graves irregularidades e o descumprimento de ordens anteriores da Suprema Corte. De acordo com o documento, pessoas ligadas aos irmãos Murilo e Breno Caiado (primos do governador Ronaldo Caiado) teriam mantido ações de intimidação na área.

O relatório do Incra destaca:

  • Derrubada de Imóveis: Uma residência foi demolida em 26 de dezembro de 2025, após a proibição expressa do STF.

  • Intimidação Armada: Registro de circulação de homens armados, uso de drones para vigilância e soterramento de poços artesianos para cortar o acesso à água potável.

  • Impacto Social: Demolição de casas de famílias com crianças com necessidades especiais e relatos de moradores que “não saem mais de casa” por medo.

O Imbróglio Jurídico e a Herança

A disputa envolve uma área reivindicada pelos herdeiros de Luiz Soares de Araújo, Raul Alves de Andrade Coelho e Maria Paulina Boss (tia do governador). Na década de 1990, o TJGO havia reconhecido o direito de posse aos herdeiros, mas o reconhecimento da área como quilombola pelo Incra e pelo Ministério Público Federal (MPF) deslocou a competência para a Justiça Federal.

Moraes ordenou que a 1ª Vara Federal Cível e Criminal assegure a ausência de “pessoas estranhas” à comunidade que representem perigo. A Procuradoria-Geral da República (PGR) terá 15 dias para informar sobre o cumprimento da ordem, sob pena de responsabilização da vara federal em caso de omissão.

Outro Lado

A defesa do espólio de Maria Paulina Boss, representada pelo advogado Eduardo Caiado, nega as irregularidades. Em nota, afirmou que as alegações do Incra são “inverídicas” e descrevem “cenários inexistentes”. Segundo a defesa, os proprietários sempre atuaram conforme as decisões judiciais e aguardam a resolução de um conflito que tramita há mais de 80 anos.

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