Crise demográfica na Ásia: Natalidade na China atinge o menor nível em 77 anos
A China registrou em 2025 o menor número de nascimentos desde a fundação da República Popular em 1949. Segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONE) nesta segunda-feira (19), o país teve apenas 7,92 milhões de nascimentos no ano passado, consolidando uma crise demográfica que ameaça a sustentabilidade da segunda maior economia do mundo.
Números Alarmantes
A taxa de natalidade caiu para 5,63 partos por mil habitantes, uma redução drástica de 17% em comparação ao ano anterior (1,62 milhão de bebês a menos). Para efeito de comparação, na década de 80, sob a rígida política do filho único, a taxa era de 17,82.
Pelo quarto ano consecutivo, a população total da China encolheu, apresentando uma redução de 3,39 milhões de pessoas em apenas 12 meses. Atualmente, o país conta com 1,404 bilhão de habitantes.
Por que os chineses não querem ter filhos?
Apesar de o governo ter flexibilizado as leis (permitindo até três filhos por casal) e oferecido incentivos financeiros, diversos fatores sociais impedem a retomada do crescimento populacional:
Custo de vida: O alto custo da educação e da habitação é o principal obstáculo.
Carreira: Jovens priorizam a ascensão profissional em um mercado altamente competitivo.
Envelhecimento: Muitos casais precisam arcar sozinhos com o cuidado de pais idosos, sobrando pouco recurso para crianças.
Casamentos em queda: O número de uniões oficiais também atingiu níveis historicamente baixos.
O Desafio Econômico
O anúncio dos dados demográficos ocorreu simultaneamente aos resultados do PIB de 2025, que cresceu 5%. Embora pareça positivo, este é um dos desempenhos mais baixos das últimas décadas para o gigante asiático. Com menos jovens entrando no mercado de trabalho e uma massa de idosos cada vez maior, o sistema previdenciário e o consumo interno enfrentam riscos severos a longo prazo.







