“Prisioneiro de Guerra”: Maduro e Cilia Flores Declaram Inocência em Audiência Histórica em Nova York
A justiça dos Estados Unidos deu início, nesta segunda-feira (5), a um dos processos criminais mais impactantes da história recente das Américas. Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, compareceram ao Tribunal Federal de Nova York para a audiência de custódia, onde ouviram formalmente as graves acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas. Sob um esquema de segurança que paralisou partes de Manhattan, o ex-líder venezuelano manteve um tom desafiador.
O Tribunal: “Sou um Homem Decente”
Algemado nos tornozelos e vestindo um uniforme de detento sobre uma camisa azul-marinho, Maduro utilizou fones de ouvido para acompanhar a tradução simultânea das palavras do juiz Alvin Hellerstein, de 92 anos. Durante a sessão, que durou cerca de 30 minutos, Maduro foi enfático ao se declarar inocente de todos os quatro crimes imputados:
Narcoterrorismo;
Conspiração para importar cocaína para os EUA;
Posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos;
Conspiração para o uso de armas.
Ao ser questionado pelo magistrado, Maduro afirmou: “Eu sou inocente. Sou um homem decente. Sou um presidente”. Ao sair do tribunal, em uma declaração rápida em espanhol, ele se autodenominou um “prisioneiro de guerra” e reiterou que foi sequestrado pelo governo de Donald Trump em uma operação ilegal em Caracas.
Cilia Flores e o Cartel de los Soles
Cilia Flores, também detida no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) no Brooklyn, seguiu a estratégia do marido e declarou-se “completamente inocente”. A promotoria americana sustenta que o casal liderava o “Cartel de los Soles”, uma organização descrita como uma rede de autoridades militares e políticas que utilizou o Estado venezuelano para inundar os EUA com cocaína como uma “arma” política e financeira.
O Futuro do Julgamento
O juiz Hellerstein negou qualquer possibilidade de fiança, ordenando que o casal permaneça preso até o julgamento. Uma nova audiência, com depoimentos formais, foi marcada para o dia 17 de março de 2026. Especialistas jurídicos indicam que a defesa focará na tese de imunidade de chefe de Estado, enquanto os promotores devem apresentar depoimentos de ex-aliados, como Hugo “Pollo” Carvajal, para comprovar a ligação direta de Maduro com as FARC e cartéis mexicanos.







