Impasse Final: União Europeia Aprova Mecanismo de “Blindagem” Agrícola e Põe Acordo com Mercosul em Risco

UE cria "blindagem" agrícola e põe acordo com Mercosul em risco
UE cria "blindagem" agrícola e põe acordo com Mercosul em risco

Impasse Final: União Europeia Aprova Mecanismo de “Blindagem” Agrícola e Põe Acordo com Mercosul em Risco

A conclusão do histórico acordo de livre comércio entre União Europeia (UE) e Mercosul enfrenta um risco de última hora. Nesta segunda-feira (8 de dezembro de 2025), o Comitê de Comércio Internacional do Parlamento Europeu aprovou um rigoroso mecanismo de salvaguardas que visa “blindar” os produtores agrícolas europeus contra o aumento das exportações do bloco sul-americano.

A medida foi recebida com forte resistência em Brasília, onde altos funcionários do governo avaliam que as novas regras podem minar a viabilidade econômica do acordo. A assinatura do tratado, cujas negociações duraram duas décadas, está prevista para o dia 20 de dezembro.

Limitação de Ganhos para o Agronegócio do Mercosul

O mecanismo de salvaguardas aprovado impõe limites severos ao crescimento das vendas de produtos agrícolas considerados sensíveis no mercado europeu, como carne bovina, aves e queijos.

As investigações comerciais contra o Mercosul poderão ser ativadas em dois cenários:

  1. Aumento nas Vendas: Se as exportações de produtos sensíveis para a UE aumentarem, em média, 5% ao longo de três anos.

  2. Queda nos Preços: Se os preços internos desses produtos, no mercado europeu, caírem 5% em uma média de três anos.

A suspensão dos descontos aplicados nas tarifas de importação seria acionada em caso de “prejuízo” comprovado aos produtores europeus. Diplomatas brasileiros argumentam que a possibilidade de ampliação das exportações do agronegócio já era muito limitada pelas cotas anuais (como 99 mil toneladas para carne bovina), e a criação das salvaguardas torna o benefício do acordo quase nulo para o setor.

Pressão de Lobbies e Votação Final

A criação do mecanismo é uma resposta à pressão de países com fortes lobbies agrícolas, como França, Polônia, Irlanda e Itália, que resistem à abertura de seus mercados. O plenário do Parlamento Europeu deve deliberar sobre a proposta na próxima semana.

Fontes diplomáticas indicam que a votação expressiva no Comitê (27 votos a favor e 8 contra) sinaliza que o mecanismo será aprovado, o que pode forçar o Brasil e seus parceiros do Mercosul a reavaliar o próprio acordo antes da assinatura final.

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