Escândalo Fiscal: Justiça Italiana Apreende US$ 1,5 Bilhão em Ativos da Lagfin, Holding Controladora da Campari

Itália apreende US$ 1,5 bilhão da controladora da Campari
Itália apreende US$ 1,5 bilhão da controladora da Campari

Escândalo Fiscal: Justiça Italiana Apreende US$ 1,5 Bilhão em Ativos da Lagfin, Holding Controladora da Campari

 

A tradicional indústria global de bebidas alcoólicas, que inclui a renomada marca Campari, foi abalada por uma investigação de grande impacto na Itália. A polícia financeira italiana anunciou a apreensão de aproximadamente 1,3 bilhão de euros (cerca de US$ 1,5 bilhão) em ativos, majoritariamente ações, pertencentes à Lagfin, a holding sediada em Luxemburgo que detém o controle do Grupo Campari.

A medida judicial, solicitada pelo Ministério Público e autorizada pela Justiça, faz parte de uma investigação por suposta fraude fiscal. O foco dos promotores está na alegação de que a Lagfin teria evitado o pagamento de impostos de saída (ou exit taxes) devidos sobre 5,3 bilhões de euros (US$ 6,15 bilhões) em ganhos de capital. Estes valores estariam ligados à absorção de uma subsidiária italiana que controlava a Campari.

A tese da acusação é que essa complexa reorganização corporativa teria transferido a base tributária e a gestão do grupo para o exterior, o que, sob a lei italiana, desencadeou a obrigação fiscal de saída.

Posicionamento das Partes e Impacto no Grupo

É importante notar que a investigação tem como alvo direto a Lagfin e seus dirigentes, e não o Grupo Campari propriamente dito, que mantém sua sede em Milão e cotação na Bolsa de Valores.

Em comunicado, a Lagfin, que possui laços estreitos com o presidente do Grupo Campari, Luca Garavoglia, afirmou que a disputa fiscal data de cerca de dois anos e nunca envolveu a Campari. A holding nega qualquer irregularidade, garantindo ter agido sob o “mais escrupuloso respeito a todas as leis tributárias italianas aplicáveis” e prometeu se defender “vigorosamente” nas instâncias competentes.

Apesar da vultosa apreensão, que recai sobre uma holding com mais de 80% dos direitos de voto na Campari, a Lagfin sustenta que a ação policial é “absolutamente incapaz” de comprometer sua posição como acionista controladora da Campari, que detém marcas globais como Aperol, Grand Marnier e Wild Turkey. O Grupo Campari (fundado em 1860) não se manifestou publicamente sobre o caso de sua controladora até o momento.

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