Ibama Libera Petrobras para Pesquisa de Petróleo na Foz do Amazonas em Meio a Críticas Ambientais

Ibama Libera Petrobras para Petróleo na Foz do Amazonas
Ibama Libera Petrobras para Petróleo na Foz do Amazonas

Ibama Libera Petrobras para Pesquisa de Petróleo na Foz do Amazonas em Meio a Críticas Ambientais

 

A Petrobras obteve a tão esperada autorização do Ibama para iniciar a perfuração de um poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado na Foz do Rio Amazonas, parte da controversa Margem Equatorial brasileira. O anúncio, feito nesta segunda-feira (20/10), ocorre em um momento de intensa pressão política e ambiental, a poucos dias da realização da COP30 em Belém (PA).

Em comunicado, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, celebrou a licença, classificando-a como uma “conquista da sociedade brasileira” que reflete o compromisso das instituições com o diálogo e o desenvolvimento do país. A perfuração exploratória, que busca avaliar a existência de petróleo e gás em escala econômica, tem previsão de durar cerca de cinco meses e deve ser iniciada imediatamente.

 

O Epicentro da Controvérsia

 

A Margem Equatorial, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, é vista pelo governo federal como a nova fronteira de exploração de petróleo e gás, com a Petrobras planejando investir mais de US$ 3 bilhões e perfurar 16 poços na região até 2028.

No entanto, o projeto é alvo de severas críticas e temores de ambientalistas. A preocupação central reside no risco de acidentes em uma área de alta sensibilidade ecológica, dada a proximidade de um recife de corais de quase 10 mil km² na foz do Amazonas e de terras indígenas no Amapá. Entidades ligadas ao meio ambiente classificaram a decisão como “desastrosa do ponto de vista ambiental e climático” e já ameaçam recorrer à Justiça para derrubar a licença.

 

Justificativas e Pressão Política

 

A liberação da licença encerra uma jornada de quase cinco anos, marcada pela pressão pública do governo Lula (PT) ao Ibama, criticado pela demora na autorização. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também é um dos principais fiadores políticos do projeto.

Em sua defesa, o Ibama afirmou que a autorização se deu após um “rigoroso processo de licenciamento ambiental”. O órgão destacou aprimoramentos substanciais no projeto, exigidos após o indeferimento inicial em maio de 2023. Dentre os avanços, o Ibama cita a construção de um segundo Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) de grande porte no Oiapoque (AP) e a inclusão de novas embarcações dedicadas ao atendimento de fauna oleada, visando aprimorar a estrutura de resposta a emergências ambientais.

O timing da decisão, contudo, coloca o governo brasileiro sob os holofotes internacionais, tensionando o discurso de liderança climática pouco antes de sediar a COP30.

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