Hamas entrega lista de reféns a Israel e diz que negociações por paz em Gaza avançam com “otimismo”
O Hamas informou nesta quarta-feira (8) que trocou com Israel listas contendo nomes de reféns e prisioneiros, em um novo passo nas tratativas mediadas pelo Egito para um possível cessar-fogo na Faixa de Gaza. Segundo uma autoridade do grupo, o clima entre os negociadores é de “otimismo” diante das conversas que chegam ao terceiro dia.
De acordo com Taher Al-Nounou, alto representante do Hamas, o grupo apresentou disposição para alcançar um acordo com Israel. Ele destacou que os mediadores têm trabalhado intensamente para superar os obstáculos que impedem o avanço das etapas do cessar-fogo.
“Os mediadores estão fazendo grandes esforços para remover os entraves e há um sentimento de otimismo entre todos os participantes”, declarou Al-Nounou à agência AFP.
As conversas acontecem no Cairo com base em um plano proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A proposta busca encerrar a guerra em Gaza, garantir a libertação dos reféns, o desarmamento do Hamas e a retirada gradual das forças israelenses do território palestino.
Na terça-feira (7), quando o conflito completou dois anos, o Hamas apresentou novas exigências e classificou o ataque de 7 de outubro de 2023 como uma “resposta histórica” a Israel. No mesmo dia, Trump afirmou que um acordo de paz estaria “muito próximo”.
O presidente norte-americano já havia se mostrado confiante em diversas ocasiões. Na semana passada, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, Trump apresentou um plano de 20 pontos e disse acreditar que o Hamas estaria disposto a libertar todos os reféns de uma só vez.
Mesmo com avanços, as negociações ainda enfrentam desconfianças mútuas. Israel demonstra resistência em pontos específicos, e o Hamas pede mais discussões sobre detalhes do plano. O governo americano tenta garantir que ambos os lados cumpram suas promessas — especialmente após Israel não interromper completamente os bombardeios em Gaza, como solicitado por Washington.
O conflito, iniciado após o ataque terrorista de 2023, já deixou mais de 67 mil palestinos mortos e cerca de 170 mil feridos, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, reconhecidos pela ONU. Israel afirma que 48 reféns ainda estão sob poder do Hamas, sendo 20 deles vivos.
A proposta apresentada pela Casa Branca prevê que Gaza se torne uma área livre de grupos armados e seja administrada por um comitê de palestinos tecnocratas, supervisionado por um “Conselho da Paz” liderado por Trump. O Hamas teria 72 horas para libertar todos os reféns, enquanto Israel deveria liberar cerca de 2 mil prisioneiros palestinos.
Apesar de parte da comunidade internacional enxergar o plano como um caminho para o cessar-fogo, ainda há divergências sobre o desarmamento do Hamas, a retirada das tropas israelenses e a criação de um futuro Estado palestino.







