Toni Garrido muda letra de “Girassol” e divide opiniões após afirmar que trecho era machista

Toni Garrido muda letra de “Girassol” e divide opiniões após afirmar que trecho era machista
Imagem Internet: Toni Garrido na gravação do acústico MTV

Toni Garrido muda letra de “Girassol” e divide opiniões após afirmar que trecho era machista

O cantor Toni Garrido, vocalista da banda Cidade Negra, voltou aos holofotes após revelar, durante participação no programa Altas Horas no último sábado (4), que decidiu alterar um trecho da clássica canção “Girassol”, lançada há mais de duas décadas.

A mudança, segundo ele, surgiu de uma reflexão sobre o significado da letra original e de como ela poderia ser interpretada nos dias atuais.

O verso “Já que pra ser homem tem que ter a grandeza de um menino” foi substituído por “Já que pra ser homem tem que ter a grandeza de uma menina, de uma mulher”.

De acordo com o artista, a nova versão nasceu de um incômodo pessoal:

“Durante anos achei que cantava uma música de amor correta. Depois de 25 anos, percebi que o trecho refletia uma visão hétero e machista. Era algo que eu precisava revisar”, explicou Toni Garrido no programa.


Repercussão nas redes: fãs divididos entre apoio e crítica

A declaração gerou uma enxurrada de comentários nas redes sociais. Muitos fãs lamentaram a mudança, afirmando que o verso original carregava apenas um sentido poético e universal.

Um internauta comentou no X (antigo Twitter):

“Eu era muito fã de Cidade Negra. Ouvir isso agora é de partir o coração.”

Outros usuários classificaram a alteração como desnecessária e “um gesto de lacração tardio”. Um perfil chegou a escrever:

“A música era perfeita do jeito que era. Toni quis mudar algo que nunca foi problema.”


Vozes de apoio

Apesar das críticas, houve quem elogiasse a atitude do cantor. O usuário @EduVidaCruel publicou:

“Achei ótimo! Se o artista sente que a letra envelheceu mal, ele tem o direito de revisá-la. É sobre evolução, não sobre censura.”

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) também manifestou apoio e compartilhou o vídeo da entrevista, afirmando que a mudança “mostra maturidade e consciência artística”.

“Reconhecer traços machistas em uma letra antiga e transformá-la hoje é um gesto de crescimento pessoal e coletivo”, escreveu.


Toni Garrido esclarece: “Quem quiser, cante como quiser”

Diante da repercussão, o vocalista publicou um vídeo em seu Instagram explicando o contexto da alteração.

“Foi uma brincadeira amorosa. Quis homenagear as mulheres. Todo homem tem dentro de si a grandeza de um pai, de uma mãe e de uma criança — seja menino ou menina. Quem quiser cantar a versão antiga, pode. É sobre amor, não polêmica”, afirmou.

O músico reforçou que a nova versão não substitui a original e que ambas podem coexistir como expressões diferentes de uma mesma canção.


Debate sobre arte e reinterpretação

O episódio reacendeu discussões sobre a releitura de obras antigas e o papel dos artistas na atualização de suas próprias criações. Para uns, a mudança reflete sensibilidade e respeito; para outros, uma interferência desnecessária em uma composição que marcou época.

Mais do que uma questão musical, o gesto de Toni Garrido abre espaço para um debate cultural sobre como as letras, as artes e os valores sociais evoluem com o tempo — e sobre o limite entre homenagem, revisão e memória afetiva.

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