China abre mão de status de país em desenvolvimento na OMC após pressão dos EUA
A China anunciou que deixará de reivindicar o tratamento diferenciado destinado a nações em desenvolvimento nos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC). A decisão, confirmada nesta semana pelo Ministério do Comércio, ocorre em meio a um cenário global marcado por disputas tarifárias e políticas protecionistas.
Segundo a pasta, a medida tem como objetivo fortalecer o sistema multilateral de comércio, respondendo a críticas de longa data, principalmente dos Estados Unidos, que há anos defendiam que Pequim renunciasse a esse status.
Embora não tenha citado diretamente Washington ou as tarifas impostas pelo então presidente Donald Trump a diversos países, incluindo a própria China, a mudança foi interpretada como um movimento dentro desse contexto de tensões comerciais.
Reivindicação antiga dos EUA
Os Estados Unidos argumentavam que, por ser a segunda maior economia do mundo, a China não deveria mais usufruir das flexibilidades garantidas às nações em desenvolvimento na OMC. Esse enquadramento permitia ao país prazos mais amplos para implementar reformas de mercado e compromissos menos rígidos de liberalização comercial.
A decisão de Pequim foi destacada pela direção da OMC como um passo histórico para a reforma da instituição. “Este é o resultado de muitos anos de trabalho árduo”, afirmou Ngozi Okonjo-Iweala, diretora-geral da organização, em mensagem publicada no X (antigo Twitter).
Anúncio em Nova York
O premiê Li Qiang revelou a mudança na última terça-feira (23), durante um fórum de desenvolvimento realizado em Nova York, paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas. No discurso, reforçou que o país continuará se posicionando como uma economia de renda média, ainda pertencente ao grupo de nações em desenvolvimento, mas reconheceu a necessidade de atualização dentro da OMC.
Influência chinesa no cenário global
Apesar da nova postura, a China mantém papel estratégico no apoio a países emergentes, com investimentos e empréstimos voltados a grandes projetos de infraestrutura, como rodovias, ferrovias, barragens e portos — em sua maioria executados por estatais chinesas.
O anúncio acontece em um momento simbólico para o país. Em Pequim, uma cerimônia militar marcou o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, no dia 3 de setembro de 2025, reforçando o peso histórico e político da China no cenário internacional.






